O Brasil gasta anualmente cerca de US$ 5 mil (o equivalente a aproximadamente R$ 26 mil) com cada aluno matriculado nos anos iniciais do ensino fundamental na rede pública, segundo o relatório Education at a Glance 2026, divulgado nesta semana pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
O montante desembolsado pelo país representa menos de 40% da média registrada pelas nações que integram o bloco internacional, onde o aporte por estudante supera os US$ 13,4 mil. O levantamento internacional compila indicadores detalhados sobre escolaridade, conclusão de etapas de ensino e os recursos financeiros direcionados aos sistemas públicos de educação.
Comparativo internacional e desafios estruturais
Na etapa dos anos iniciais do ensino fundamental, o indicador coloca o Brasil na 38ª posição entre 44 economias avaliadas no estudo. Especialistas apontam que a diferença de investimentos reflete os complexos desafios estruturais enfrentados pela rede pública brasileira, que precisa lidar com demandas sociais amplas com um orçamento proporcionalmente menor por estudante em comparação às nações mais desenvolvidas.
O cálculo do gasto por aluno engloba despesas essenciais para o funcionamento do sistema de ensino, como a remuneração dos profissionais da educação, aquisição de materiais didáticos, manutenção predial, investimentos em infraestrutura e serviços de apoio, a exemplo de alimentação e segurança escolar.
Evolução no perfil de jovens
Apesar das limitações orçamentárias frente à média da OCDE, o relatório também trouxe indicadores positivos sobre a transição dos jovens para o mercado de trabalho e o ambiente acadêmico. A taxa de jovens entre 18 e 24 anos que se encontravam na condição de NEET — ou seja, que não trabalham, não estudam e não possuem formação — apresentou retração no país. O índice caiu para 22,4%, comparado aos 26,8% registrados em medições anteriores da série histórica do levantamento.
O monitoramento contínuo promovido pelo relatório serve como ferramenta de análise para gestores públicos avaliarem a eficiência das políticas educacionais e buscarem alternativas para mitigar as disparidades históricas na formação básica e superior no Brasil.
Ministério da Educação / Inep / OCDE

