A taxa de desemprego no Brasil recuou para 5,3% no trimestre móvel encerrado em agosto de 2026, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma queda de 0,3 ponto percentual em comparação com o trimestre encerrado em maio de 2026, quando o índice estava em 5,6% no mesmo período de comparação anual.
Com o recuo, a população desocupada estimada pelo instituto caiu para 5,8 milhões de pessoas, registrando reduções tanto na margem quanto em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. Em contrapartida, a população ocupada no país alcançou o maior patamar da série histórica da pesquisa, somando 103,5 milhões de trabalhadores em atividade.
Renda e mercado de trabalho
Além da expansão no volume de postos de trabalho, o levantamento do IBGE apontou melhorias nos indicadores de rendimento. O rendimento médio real habitual do trabalhador foi estimado em R$ 3.777 no trimestre encerrado em agosto, o que representa um acréscimo de 3,7% frente ao verificado no mesmo período de 2025. Como consequência do aumento do número de ocupados e da valorização salarial, a massa de renda real habitual paga aos trabalhadores chegou a R$ 385,6 bilhões, alta anual de 4,8%.
O nível da ocupação — percentual de pessoas com idade para trabalhar que estão efetivamente ocupadas — situou-se em 58,9%. O contingente de empregados no setor privado com carteira de trabalho assinada permaneceu em patamares elevados, consolidando a estabilidade das principais formas de formalização no período, ao lado de trabalhadores por conta própria e empregados sem carteira.
Contexto econômico e projeções
O desempenho robusto do mercado de trabalho ocorre em um cenário em que a autoridade monetária e analistas financeiros monitoram os reflexos da atividade econômica sobre a inflação. Enquanto o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve cautela e avalia os passos futuros da taxa Selic após o ajuste recente para 13,75% ao ano, relatórios macroeconômicos apontam que a resiliência na ocupação tem sustentado a demanda interna, ainda que o ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mostre sinais de moderação para os próximos trimestres.
Especialistas indicam que, embora o patamar de desocupação permaneça em níveis historicamente baixos, o desafio central para os próximos meses reside na sustentabilidade da renda real em meio às pressões inflacionárias monitoradas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e às incertezas do cenário externo.
Agência IBGE / Pnad Contínua




