A inflação dos aluguels no Brasil voltou a ganhar tração no encerramento do terceiro trimestre de 2026. O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), amplamente utilizado como principal parâmetro para o reajuste de contratos de locação residencial e comercial no país, registrou alta de 1,57% em setembro, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE).
Com o resultado positivo, o indicador reverte o cenário observado nos meses anteriores, quando acumulou três recuos consecutivos — em junho (-0,5%), julho (-1,16%) e agosto (-0,22%). Com a variação de setembro, o acumulado nos últimos 12 meses passou a registrar alta de 3,34%, o patamar mais elevado para o índice desde meados do ano passado.
Impacto direto no bolso dos inquilinos
O percentual acumulado de 3,34% será aplicado de forma obrigatória nos contratos de aluguel que possuem vencimento e aniversário em outubro de 2026. Na prática, inquilinos que mantêm acordos indexados ao IGP-M verão seus boletos mensais sofrerem acréscimo proporcional.
Para um imóvel com aluguel mensal fixado em R$ 1.500, por exemplo, o reajuste implicará um incremento de pouco mais de R$ 50 no valor pago a partir do próximo mês, elevando a fatura para R$ 1.550,10. Especialistas em mercado imobiliário recomendam que proprietários e inquilinos mantenham diálogo aberto e transparente para negociar eventuais revisões caso haja incompatibilidade com a realidade financeira local de cada locatário.
Fatores por trás da retomada do índice
O IGP-M é composto por três subíndices que medem diferentes etapas da cadeia produtiva e de custos: o Índice de Preços ao Productor Amplo (IPA), o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e o Índice Nacional da Construção Civil (INCC). A alta expressiva de setembro foi influenciada principalmente pela retomada nas pressões de custos no atacado e por variações nas cotações de commodities e matérias-primas no cenário macroeconômico.
Embora a inflação oficial monitorada pelo governo siga sob escrutínio de analistas e do Banco Central na condução da taxa básica de juros (Selic), o comportamento do IGP-M demonstra que pressões pontuais em cadeias produtivas ainda encontram espaço para repercutir nos índices de preços ao longo do segundo semestre de 2026.
FGV IBRE / UOL Economia




