Mercado de carros usados registra menor alta trimestral desde 2019 com consumidor mais exigente

Levantamento do banco BV mostra que os preços dos automóveis leves usados subiram em ritmo mais lento no país, com compradores cautelosos e foco em eficiência e modelos eletrificados.

Quem tentou vender um automóvel leve usado nos últimos meses percebeu uma mudança clara no comportamento dos compradores: o mercado nacional de veículos de segunda mão perdeu o fôlego e os preços passaram a subir em ritmo bastante moderado.

De acordo com dados divulgados pelo IBV Auto, índice proprietário do banco BV que monitora transações reais de automóveis leves usados no país, o indicador registrou alta de 0,36% no terceiro trimestre de 2026. Trata-se do menor avanço trimestral para o período desde 2019, ano que marca o início da série histórica do levantamento. Para efeito de comparação, o avanço havia sido de 1,27% no segundo trimestre deste ano e de 2,04% no mesmo período de 2025.

Mudança de perfil e seletividade na compra

Especialistas do setor apontam que a desaceleração nos preços decorre de uma postura mais rigorosa por parte do consumidor. Com o crédito automotivo exigindo maior cautela devido ao patamar das taxas de juros e o endividamento das famílias, os compradores estão avaliando com muito mais critério a relação custo-benefício antes de fechar negócio.

O indicador nacional utiliza uma cesta ponderada pelo volume financeiro total das negociações reais — multiplicando preço e quantidade de modelos transacionados —, o que reflete de maneira fidedigna o comportamento do consumidor brasileiro nas concessionárias multicascas e plataformas digitais de revenda.

O impacto sobre os veículos eletrificados e seminovos

Além da moderação geral nos preços dos modelos tradicionais a combustão, o mercado de usados passa a incorporar novas variáveis ligadas à transição energética. A valorização de veículos seminovos híbridos e elétricos começa a ser monitorada de perto por lojistas, que enfrentam o desafio de mensurar a liquidez desses ativos à medida que novas tecnologias ganham espaço nas ruas das grandes cidades brasileiras.

Para quem atua no setor de revenda, o cenário atual exige ajustes estratégicos nas margens de lucro e maior precisão na avaliação inicial dos veículos recebidos como parte do pagamento, distanciando-se do dinamismo inflacionado observado em anos anteriores.

Seu Dinheiro / Banco BV

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Redação Folha Direta

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