Brasil mantém segunda posição em inovação na América Latina, mas enfrenta gargalos produtivos

O Brasil assegurou o segundo lugar regional no Índice Global de Inovação 2026, destacando-se em ciência e empreendedorismo, mas especialistas apontam barreiras estruturais na produtividade.

O Brasil manteve a segunda colocação entre as economias mais inovadoras da América Latina e Caribe, de acordo com os dados oficiais do Índice Global de Inovação (IGI) de 2026 divulgados nesta semana. O país ficou atrás apenas do Chile na região e continua sendo a única nação latino-americana com desempenho em inovação acima do esperado para o seu atual patamar de desenvolvimento, uma marca mantida consecutivamente nos últimos seis anos.

Contexto e Desempenho Global

No cenário global, que avaliou 139 economias sob a coordenação da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), o Brasil registrou uma oscilação de uma posição em relação ao levantamento anterior, passando a ocupar o 53º lugar geral. Apesar da leve retração na tabela internacional, analistas e representantes do setor produtivo avaliam que os pilares internos de ciência, tecnologia e infraestrutura de mercado continuam resilientes.

O relatório aponta que o país possui vantagens comparativas sólidas ligadas ao tamanho do seu mercado interno, à robustez de sua base de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e à geração de ativos intangíveis. O ecossistema nacional de empreendedorismo também recebeu avaliações positivas, consolidando o ambiente de negócios tecnológico em grandes centros urbanos e polos acadêmicos.

Desafios e Gargalos Estruturais

Apesar do reconhecimento internacional nas áreas científicas e de patentes acadêmicas, entidades industriais e especialistas alertam que o Brasil ainda enfrenta barreiras significativas para converter esse potencial em produtividade efetiva dentro do setor produtivo. Entre os principais gargalos apontados estão a lentidão na absorção de novas tecnologias pelas cadeias de suprimentos tradicionais e a necessidade de investimentos mais robustos em cooperação tecnológica entre universidades e empresas.

Associações do setor industrial destacam que, para o país consolidar uma trajetória de crescimento sustentável amparada na soberania tecnológica, é indispensável superar os entraves burocráticos e ampliar os incentivos fiscais e de crédito voltados à modernização do parque fabril nacional.

Impactos para o Desenvolvimento

A manutenção da posição de destaque na América Latina reforça a atratividade do mercado brasileiro para investimentos externos focados em inovação, transição energética e digitalização. Contudo, o sucesso de longo prazo dependerá de políticas públicas e privadas coordenadas que reduzam a distância entre o conhecimento gerado nos laboratórios de pesquisa e a aplicação comercial em larga escala, impulsionando a competitividade global da economia brasileira.

Portal da Indústria e Organização Mundial da Propriedade Intelectual

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Folha Direta
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